Petrobras sugere que empresas importem combustíveis para atender a demanda em novembro

A Petrobras é autossuficiente em petróleo, mas não no refino dos produtos como a gasolina e o diesel, o fornecimento pode ficar comprometido em novembro, em todo país. A Petrobras informou que as distribuidoras devem importar combustíveis para que o Brasil não fique desabastecido. De acordo com a Petrobras, os pedidos extras solicitados para o mês de novembro ficaram 20% acima da capacidade de atender a demanda. O presidente do Sindicombustíveis do Distrito Federal, Paulo Tavares, disse que a defasagem do preço da gasolina em relação ao mercado internacional está em 50 centavos, e em torno de 65 centavos no diesel.

De acordo com ele, a estatal decidiu manter a paridade mantendo o preço da gasolina mais barato do que no mercado internacional. “A Petrobras, hoje, é autossuficiente em petróleo. Ela produz pouco mais de 13 milhões de barris de petróleo, a quantidade que o país consome diariamente. Entretanto, ela não refina esse petróleo na quantidade necessária. O que ela está fazendo? Ela está transferindo o ônus do aumento de preço. O que vai acontecer? As distribuidoras terão que importar produto”.

Paulo Tavares afirma que o receio das distribuidoras é se elas tiverem que importar gasolina e diesel. Essa conta será repassada para o consumidor final, que pagará mais caro pelo produto. “As distribuidoras vão importar o produto para evitar a falta de produto no mercado. Ou elas importam ou elas simplesmente deixam a bomba nas mãos da Petrobras. Se elas não fizerem isso, elas vão importar e aumentar o preço. O que vai acontecer é que a Petrobras passará a dizer que os preços subiram, mas não por conta da Petrobras, mas sim, por conta do mercado interno e, principalmente, pela devida importação. A Petrobras não está ditando mais os preços, as distribuidoras é que passam a ditar o preço, e passam para a revenda os custos dessa importação”.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Pedro Rodrigues, diz que existe uma incógnita: o medo das distribuidoras importarem, a Petrobras não aguentar a pressão política e começar a importar também. Isso vai criar um grande problema para os empresários do setor. “A Petrobras resolve importar. Diz que não vai importar mais é pressionada politicamente, alguma coisa como já aconteceu no passado e resolve importar e vender gasolina aqui pelo preço médio dela, ou seja, pela média do preço que ela vende aqui dentro. Mais barato do que lá fora com o preço lá de fora mais caro, que no final vai ficar mais barato do que se o sujeito importasse.

Então, o cara que importou mais caro, o que ele vai fazer com o combustível dele? Ele vai ficar encalhado com esse combustível. Então, é um risco para estes importadores”, analisa. Pedro Rodrigues lembra que o Brasil já assistiu este episódio no passado, no governo da presidente Dilma. “Então o que está acontecendo? A Petrobras não poderia atender as distribuidoras, ou seja, vender combustível para elas. E aí, as distribuidoras falam: estou no risco. A Petrobras diz, não, você tem que importar.

O que acontece nesse problema? É que hoje, a Petrobras está vendendo gasolina e diesel mais baratos aqui no mercado interno do que no mercado internacional. Ou seja, o litro de gasolina fora do Brasil está custando mais caro do que dentro do Brasil, e a Petrobras está falando: eu, Petrobras, não vou importar porque senão vou ter que vender esse litro aqui mais barato e vou tomar um prejuízo como aconteceu no governo da Dilma. Vocês que importem, porque eu não tenho condição de suprir essa necessidade”, comenta.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou que, neste momento, não há risco de desabastecimento de combustíveis no Brasil. A ANP disse que vem monitorando o setor e, caso necessário, tomará as providências para que não falte combustíveis.

Rede de Notícias Regional /Brasília

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