Rio Grande do Norte tem caso suspeito de nova hepatite

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O Rio Grande do Norte registra um caso suspeito da hepatite infantil de origem desconhecida, que já acometeu 614 crianças ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. A informação foi confirmada na tarde desta segunda-feira (23) pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), em Mossoró, no Oeste potiguar. De acordo com a pasta, o caso será acompanhado pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância. A idade da criança não foi confirmada.

Em nota, a Sesap reforçou a importância de estar atenta aos sinais da doença, como: sintomas gastrointestinais, como  dor abdominal, diarreia e vômitos, e icterícia (quando a pele e a parte branca dos olhos ficam amareladas). Quando forem identificados tais sintomas, procurar imediatamente assistência médica. “A Sesap ressalta que é necessária a manutenção da tranquilidade, das medidas de prevenção e higiene, assim como a atenção permanente com os sinais da doença”, afirmou a secretaria. Supostos casos também estão sendo investigados em estados como Paraíba e Ceará. Até este domingo (22), já eram 614 casos notificados no mundo, sendo 64 deles no Brasil. Dentre os sintomas, estão dores e problemas gastrointestinais, alterações nas substâncias hepáticas e icterícia (pele e olhos amarelados).

A doença não é causada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite (A, B, C, D e E) e pode estar relacionada com a infecção por um adenovírus. Segundo o infectologista Hareton Teixeira, não há indícios de que a causa da doença seja contagiosa. Atualmente, o Ministério da Saúde monitora64 casos no país e ainda não há confirmação de diagnósticos. Em Recife, uma adolescente de 14 anos, caso suspeito dessa nova doença, precisou realizar um transplante de fígado na sexta-feira passada (20).

No dia 13 de maio, o Ministé-rio da Saúde montou uma Sala de Situação para monitorar e acompanhar os casos de hepatite aguda de causa a esclarecer. Dessa forma, buscam apoiar a investigação de casos da doença notificados em todo Brasil, bem como o levantamento de evidências para identificar possíveis causas. Além disso, a sala padroniza as informações e orienta os fluxos de notificação e investigação dos casos para todas as secretarias estaduais e municipais de saúde.

Hepatite é o nome dado a uma inflamação do fígado que pode ser causada por diversos fatores, como por exemplo, uso exacerbado de medicamentos hepatotóxicos e agentes infecciosos como os vírus das hepatites A, B, C, D e E. Nesses casos de hepatite de etiologia desconhecida, a pesquisa das causas mais frequentes da doença não revelou nenhum agente causal. Quem explica é o médico infectologista Hareton Teixeira, pro-fessor da Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN.

“Causas medicamentosas fo-ram descartadas, os vírus das hepatites de A a E foram investigados e também descartados, as toxinas no meio ambiente que podem causar a hepatite foram descartadas. Desse modo, real-mente a etiologia ainda não é tão bem compreendida. Esses casos começaram a acontecer no final de 2021 e começaram a se destacar nesse primeiro semestre de 2022”.

Com notificações em mais de 25 países, o Reino Unido (197 casos) e Estados Unidos (180) lideram o número de casos. De acordo com o médico, três aspectos chamam a atenção nessa nova hepatite: o acometimento exclusivo de crianças e adolescentes até por volta de 16 anos, a presença do adenovírus detectada em cerca de 70% dos casos em algumas faixas e a evidência laboratorial de infecção recente por covid-19 em uma parcela significativa dessas crianças.

Segundo Hareton, já se levantaram algumas hipóteses baseadas nessas constatações. Aparentemente, a ideia de que o adenovírus pode ser a principal causa dessa nova hepatite não é provável, visto que essa família de vírus pode causar hepatite grave em crianças com deficiência imunológica, mas a maioria dos casos não tem evidência de imunodeficiência.

“Cerca de 10% das crianças que desenvolveram essa hepatite de etiologia desconhecida evoluíram para formas fulminantes de hepatite com necessidade de transplante hepático. Quando se analisou o explante hepático, não se detectou adenovírus no tecido inflamado, isso torna  menos provável ou improvável que o adenovírus seja a causa dessa hepatite”, diz.

 

 

Por Marcos Dantas

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