Após semanas propagando o “Dia da Libertação’, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou na quarta-feira, 2, as chamadas tarifas recíprocas para todos os países. O anúncio, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, gera apreensão global e alimenta a expectativa de uma iminente guerra comercial de grandes proporções. O presidente Donald Trump anunciou que a tarifa recíproca para o Brasil será de 10%. Ele disse ainda que a tarifa para a China será de 34%; União Europeia, 20%; Reino Unido, 10%; Vietnã, 46%; Cambodja, 49%; África do Sul, 30%.
Trump avaliou este é “um dia histórico para a América” e que as medidas, além de fazerem os EUA “ricos novamente”, fortalecerão o mercado de trabalho e indústria do país. Ele culpou os presidentes anteriores por não terem colocado tarifas recíprocas para os países. “As tarifas começam a valer a partir da meia-noite (horário local)”, disse ele, destacando que as taxas vão apoiar os fazendeiros americanos.
A primeira medida anunciada por Donald Trump foi a taxação de 25% em cima de automóveis de países europeus e asiáticos a partir desta quinta-feira (3/4). “A partir de meia-noite, nós vamos impor tarifa de 25% para todos os automóveis importados”, disse o presidente.
As tarifas recíprocas, um dos principais pontos da medida, consistem na aplicação de taxas equivalentes às que os Estados Unidos enfrentam em outros mercados. O governo norte-americano argumenta que países que impõem barreiras ao comércio com os EUA serão submetidos a medidas semelhantes.
Para Trump, a implementação das tarifas é uma forma de recuperar a importância da indústria americana, criar novos empregos e reduzir o déficit comercial do país, de quase US$ 1 trilhão (R$ 5,7 trilhões) em 2024. Além disso, diz ele, a medida vai corrigir anos de comércio “injusto” em que os outros países têm roubado os Estados Unidos.
No mundo, a implementação das tarifas pode representar uma redução no crescimento global e até recessão em alguns países, a exemplo de México e Canadá, que são altamente dependentes do comércio americano. Para o Brasil, alguns produtos devem sofrer mais que outros. Trump já tinha anunciado no mês passado uma tarifa de 25% sobre todo aço e o alumínio que entra nos Estados Unidos, e isso tende a ter reflexo nas exportações brasileiras.
Tarifaço no Brasil
No Brasil, o tarifaço de Trump gera preocupação, principalmente, entre os setores de aço e alumínio, que já enfrentam tarifas desde março. Além disso, o etanol brasileiro já foi citado como exemplo de comércio desigual: enquanto os EUA cobram uma taxa de 2,5% sobre o etanol importado, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o produto norte-americano.
O presidente Lula (PT) criticou a decisão e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não tenha efeito, o governo avalia a imposição de tarifas sobre produtos norte-americanos.
Tribuna do Norte