Entidades representativas do turismo e do comércio do potiguar se reuniram em audiência na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (20) para debater sobre a perda de voos para o Estado, especialmente para Mossoró. Os impactos sobre os dois setores ainda não são conhecidos em números, mas há uma preocupação em relação aos próximos meses, tendo em vista a realização de grandes eventos, como o Mossoró Cidade Junina. Desde o ano passado, o Aeroporto Dix-Sept Rosado, no município do Oeste potiguar, sofre com a redução de conexões. No início deste mês, a Azul Linhas Aéreas suspendeu as operações para o terminal.
Stênio Max, vice-presidente da FCDL Mossoró, chama atenção para a necessidade de investimentos no aeroporto, que atualmente passa por uma reforma para tornar o equipamento apto a receber aviões a jato. Atualmente, somente os modelos ATR são autorizados a pousar no terminal. “O Aeroporto de Mossoró tem uma invasão na pista lateral que impede, tecnicamente, a operação de voos regulares. Então nós temos um desafio grande em relação ao equipamento. A preocupação aumenta se levarmos em conta que a cidade possui 45 eventos turísticos para 2025”, afirma.
“A VoePass, que suspendeu a rota para Mossoró em outubro do ano passado. Tinha dois voos diários, quatro vezes por semana, com 62 assentos cada um. Daí é possível ter ideia de quantas pessoas deixam de chegar ao Município”, completa Max.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mossoró, Pedro Fernandes, disse que tem conversado com a Infraero, administradora do aeroporto, sobre a situação. “Temos conversado bastante sobre a necessidade de o equipamento receber voos de maior porte”, disse.
Roger Lara, representante da Infraero em Mossoró comentou na audiência que há um planejamento de R$ 75 milhões para as obras no aeroporto, dos quais R$ 30 milhões já foram executados.
Edmar Gadelha, da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), afirmou que a perda de voos no RN acende um alerta. “Temos uma rede hoteleira robusta e uma procura pelo nosso destino que é orgânica, mas isso nem sempre se converte em vendas do destino. O gargalo está justamente na baixa conectividade”, pontua.
Fernando Virgílio, assessor de Relações Institucionais da Fecomércio, diz que existe apreensão com a possibilidade de perda para a economia do RN frente ao cenário de suspensão de voos. “A parte turística em Mossoró pode ser afetada, mas também outros setores como petróleo e fruticultura irrigada” disse.
O diretor-presidente da Emprotur, Raoni Fernandes, espera que, com a reforma, seja possível ampliar a conexão do destino com o País. “Por conta das obras, olhamos para o aeroporto com otimismo, já que se espera conectá-lo com Garulhos, Galeão, Brasília e Salvador”, afirma.
Habib Chalita, da Diretoria de Planejamento Estratégico da Secretaria de Turismo de Natal, afirma que a discussão promovida pelo deputado Ubaldo Fernandes reforçara a necessidade de conectividade para fortalecer o turismo. “Não somente de Natal, mas de outras cidades, como Mossoró e e Pau dos Ferros que necessitam dessa conexão”, disse Chalita.
Ao contrário de Mossoró, no aeroporto de São Gonçalo do Amarante a alta temporada (de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025) trouxe bons números, com um fluxo de 670.4 mil passageiros, um crescimento de 3% em relação ao ano passado. O dado aponta para o melhor desempenho desde o início de 2020, sendo a segunda melhor alta temporada já registrada. Os números são do Governo do RN. No segundo semestre do ano passado, o RN retomou os índices pré-pandemia, com destaque para setembro (melhor mês desde 2014), outubro ( melhor dos últimos nove anos) e novembro (alta de 19,1% em relação a 2023.
Tribuna do Norte